O Mundo vai acabar. Ainda bem que vou pra Caxambu.

Planetas 01

Queridos,
Neste momento sombrio em que nuvens negras pairam sobre Jerusalém (lembram-se dos sermões do padre Castilho, na Semana Santa?), quero declarar a todos vocês, pessoas de minha mais alta estima e consideração, que no dia em que o terrível calendário maia designou para o fim do mundo estarei indo para Caxambu (ufa!).

Como é sabido de todos, caxambuenses de nascença e caxambuenses honorários, em Caxambu o mundo não acaba. Portanto, fiquem tranquilos.  A aproximação anual de Marte com a Terra, o asteroide e o novo planeta, o tal de Nibiru que, segundo os arautos do Apocalipse, estão em rota de colisão com nosso mundo, não terão qualquer impacto sobre a Caxambeia. Fiquem tranquilos, vivam suas vidas normalmente, preparem-se para o Natal e o Ano Novo em paz.

Todos nós, cinquentões e sessentões de Caxambu, desde que nascemos, já vimos muitos fins do mundo, não é mesmo? E a cidade acabou? Hein? Hein? Me digam! Essa cidade tem uma blindagem impressionante contra as catástrofes exploradas pelos “profetas”. Aliás, as “profecias” relacionadas aos maias, como a de planetas que estariam em rota de colisão com a Terra ou que ocorreria um alinhamento cósmico raríssimo com o centro da galáxia, existem desde que eu me entendo por gente. E quando a terra tremeu em Caxambu? Quem se lembra? Algum profeta disse que a terra tremia porque tinha uma serpente enorme que ligava as grutas de São Tomé das Letras ao sítio arqueológico de Macchu Picchu, no Peru, e que, quando essa cobrona mexia, Caxambu tremia. Era um indício do fim do mundo. Cruz credo! Outros dizem que da primeira vez que o mundo acabou – ô louco, sô! E teve mesmo um primeiro fim do mundo?  –, acabou em água e que da próxima vez vai acabar em fogo. Cruz credo, de novo. Há quem diga que o morro Caxambu é um vulcão adormecido que vai entrar em erupção a qualquer momento. E por aí vai. Se a gente olha pro céu e vê uma luz diferente, é sinal dos tempos. Se chove demais, é sinal dos tempos; se faz sol demais é sinal dos tempos, também. Tudo é sinal dos tempos, meus queridos.

No fundo, no fundo, nós somos que nem aqueles burrinhos de desenho animado, tentando pegar a inacessível cenoura amarrada num pedaço de pau, que os mantém sempre caminhando pra frente. Nossa jornada não é no rumo ao fim do mundo dos profetas, dos esotéricos e dos radicais mais exacerbados. O máximo que podemos temer, os que se sentem em débito com o Chefão lá de cima, é lógico, é uma mortezinha de vez em quando. Mas essa é inevitável. Nossa verdadeira jornada é a da vida, de preferência feliz e abundante, mesmo que, em boa parte dela, não consigamos isso. Nossa motivação deve ser sempre pelos bons sonhos. Então, pra que imaginar o fim do mundo, se a gente tem tanta coisa melhor com que sonhar?

Como disse, temos uma cidade blindada contra qualquer fim do mundo. Anotem o que eu estou dizendo: em Caxambu o mundo não acaba. Minha teoria se funda na tentativa de tantos políticos locais que tentaram implantar, cada um a seu jeito, um finzinho de mundo particular para nossa cidade e não conseguiram. Estamos aí, engatinhando, mas seguindo sempre em frente. E olha que houve muitas tentativas ao longo dos últimos 30 anos! Assim, se algum planeta ou asteroide se chocar com a terra, se houver o tal alinhamento cósmico, ou mesmo se a cobrona mexer, Caxambu ficará incólume. O máximo que vai sentir é uma cosquinha. Sobreviveremos.

É isso aí, queridos. Até o dia do fim do mundo.

Posted by: Professor Dinho Tags: Posted date:17 de dezembro de 2012 | 1 Comentário

Sobre o autor

Professor Dinho
Professor Dinho

Edmundo Brandão Dantas é mineiro de Caxambu. É Professor-Adjunto concursado da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. Doutor em Ciência da Informação (UnB), Mestre em Engenharia de Produção (UFSC). Especializado em Marketing (FGV) e em Comunicação Social (Ceub). Graduado em Engenharia de Telecomunicações (Inatel) e Ciências Econômicas (AEUDF). Possui larga experiência no mercado, como ex-gerente de marketing da Telebrasília. Consultor de empresas. Autor dos livros técnicos é também romancista, contista, cronista, poeta, compositor e pintor.

Uma resposta a O Mundo vai acabar. Ainda bem que vou pra Caxambu.

  1. alfredo zamat disse:

    Muito o admiro desde dos tempos do AÉIOU/é o que precisa em Caxambu.Mas depois dessa,devo-lhe minha vida,e como quero agradecer e muito, tirar do pensamento tantos fins,renovam-se as esperanças de mtos dias de saude,paz e traquilidade,nessa nossa querida cidade * blindada *um edem das luas de mel,que tem nas aguas a fonte da vida e o ar ah esse ar.Um beijo no seu coração.fred zamot.

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